quinta-feira, 16 de abril de 2020

Questões de Filosofia 2



Tema: ENEM/ Filosofia em Geral

41.  “A política, foi inicialmente, a arte das pessoas se ocuparem do lhes diz respeito. Posteriormente, passou a ser a arte de compelir as pessoas a decidirem sobre aquilo de que nada entendem”.
VALÉRY, P. Cadernos. Apud BENEVIDES, M.V.M. A cidadania ativa. São Paulo: Ática, 1996.
Nesta definição o autor entende que a história da política está dividida em dois momentos principais: um primeiro, marcado pelo autoritarismo excludente, e um segundo caracterizado por uma democracia incompleta. Considerando o texto, qual é o elemento comum a esses dois momentos da história política?
a) A distribuição equilibrada do poder.
b) O impedimento da participação popular.
c) O controle das decisões por uma minoria.
d) A valorização das opiniões mais competentes.
e) A sistematização dos processos decisórios.

42. O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem aos distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo. Martin Claret, 2009.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na
a. Inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b. Bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
c. Compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
d. Neutralidade diante da condenação dos servos.
e. Conveniência entre o poder tirânico e moral do príncipe.

43. A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas pelos primeiros pastores; a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror: a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas, ela nasce com os famosos inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo.
FOUCAULT, M. Aula de 14 e janeiro de 1976. In: Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política e a lei em relação ao poder e à organização social. Com base na reflexão de Foucault, a finalidade das leis na organização das sociedades modernas é
a. Combater ações violentas na guerra entre as nações.
b. Coagir e servir para refrear a agressividade humana.
c. Criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os indivíduos de uma mesma nação.
d. Estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações bélicas entre países inimigos.
e. Organizar as relações de poder na sociedade e entre os estados.

44. A ética precisa ser compreendida como um empreendimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque o produto da relação interpessoal e social. A ética supõe ainda que cada grupo social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para um exercício de pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza de valores para organizar também uma nova prática política.
CORDI. et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado)
O século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob este enfoque e a partir do texto, a ética pode ser compreendida como
a. Instrumento de garantia da cidadania, porque através delas os cidadãos passam a pensar e a agir de acordo com valores coletivos.
b. Mecanismo de criação dos direitos humanos, porque é da natureza do homem ser ético e virtuoso.
c. Meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização, pois a partir do entendimento do que e efetivamente a ética, a política internacional se realiza.
d. Parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interesses a ação privada dos cidadãos.
e. aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca dimensionar sua vinculação à outras sociedades.

45. Na ética contemporânea, o sujeito é não é mais um sujeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente natural. Ele é simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito histórico-social. Assim, a ética atinge um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Desse modo, a ética se entrelaça, necessariamente com a política, entendida esta como a área de avaliação de valores que atravessas as relações sociais e que interliga os indivíduos entre si.
O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo de formação da ética na sociedade contemporânea, ressalta
a. Os conteúdos éticos decorrentes da ideologias político-partidárias.
b. O valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos.
c. A sistematização de valores desassociados da cultura.
d. O sentido coletivo e político das ações humanas individuais.
e. O julgamento da ação ética pelos políticos eleitos politicamente.

46.   
Democracia: “regime político no qual a soberania é exercida pelo povo, pertence ao conjunto de cidadãos.”
JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
Uma suposta “vacina” contra os despotismo, em um contexto democrático, tem por objetivo

a. Impedir a contratação de familiares para o serviço público.
b. Reduzir a ação das instituições constitucionais.
c. Combater a distribuição equilibrada de poder.
d. Evitar a escolha de governantes autoritários.
e. Restringir a atuação do parlamento.  

(Depois de tentar resolver as questões, clique  em gabaritos.).

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A FILOSOFIA NO MUNDO

 




Karl JASPERS
Introdução ao Pensamento Filosófico
Editora Cultrix, p. 138 - 148.

1. Seja a filosofia o que for, está presente em nosso mundo e a ele necessariamente se refere.
       Certo é que ela rompe os quadros do mundo para lançar-se ao infinito. Mas retorna ao finito para aí encontrar seu fundamento histórico sempre original.
       Certo é que tende aos horizontes mais remotos, a hori­zontes situados para além do mundo, a fim de ali conseguir, no eterno, a experiência do presente. Contudo, nem mesmo a mais profunda meditação terá sentido se não se relacionar à existência do homem, aqui e agora.
       A filosofia entrevê os critérios últimos, a abóbada celeste das possibilidades e procura, à luz do aparentemente impossível, a via pela qual o homem poderá enobrecer-se em sua existência empírica.
       A filosofia se dirige ao indivíduo. Dá lugar à livre comunidade dos que, movidos pelo desejo de verdade, confiam uns nos outros. Quem se dedica a filosofar gostaria de ser admitido nessa comunidade. Ela está sempre neste mundo, mas não poderia fazer-se instituição sob pena de sacrificar a liberdade de sua verdade. O filósofo não pode saber se integra a comunidade. Não há instância que decida admiti-lo ou recusá-lo. E o filósofo deseja, pelo pensamento, viver de forma tal que a aceitação seja, em princípio, possível.
       2. Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atual­mente, representam uma posição embaraçosa. Por força da tradição a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público mas - existirá realmente? Sua existência se prova, quando menos, pelas medidas de defesa a que dá lugar.
       A oposição se traduz em fórmulas como: a filosofia é demasiado complexa; não a compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, num capítulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas.
       A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar minha vida. Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente.
       E surge os detratores, que desejam substituir a obsoleta filosofia por algo de novo e totalmente diverso. Ela é desprezada como produto final e mendaz de uma teologia falida. A insensatez das proposições dos filósofos é ironizada. E a filosofia vê-se denunciada como instrumento servil de poderes políticos e outros.
       Muitos políticos vêem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensine, menos estarão os homens arriscados a se deixar tocar pela luz da filosofia.
Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A auto complacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente de vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a bonomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário - tudo isso proclama a antifilosofia. E os homens não o percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a antifilosofia é uma filosofia, embora pervertida, que, se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação.
3. O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer. A filosofia é. portanto, perturbadora da paz.
E a verdade o que será? A filosofia busca a verdade nas múltiplas significações do ser-verdadeiro segundo os modos do abrangente. Busca, mas não possui o significado e substância da verdade única. Para nós, a verdade não é estática e definitiva, mas movimento incessante, que penetra no infinito.
No mundo, a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva esse conflito ao extremo, porém o despe de violência. Em suas relações com tudo quanto existe, o Filósofo vê a verdade revelar-se a seus olhos, graças ao intercâmbio com outros pensadores e ao processo que o torna transparente a si mesmo.
Quem se dedica à filosofia põe-se à procura do homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se interessa por sua palavra e ação, desejoso de partilhar, com seus concidadãos, do destino comum da humanidade.
Eis por que a filosofia não se transforma em credo. Está em contínua pugna consigo mesma.
4. A dignidade do homem reside em perceber a verdade. Só a verdade o liberta e só a liberdade o prepara, sem restrições, para a verdade.
É a verdade o significado último para o homem no mundo? É a veracidade o imperativo último? Acreditamos que sim, pois a veracidade sem reservas, que não se perde em opiniões, coincide com o amor.
Nossa força  está em agarrarmos os fios de Ariadne que a verdade nos lança. Mas a verdade só é a verdade total. É preciso que a verdade múltipla seja levada a convergir para a unicidade. Jamais chegamos a possuíres a verdade integral. Eu a nego quando vou ao extremo da afirmação, quando erijo o que sei em absoluto. Eu a nego também quando tento sistematizá-la em um todo, porque a verdade total não existe para o homem e porque essa ilusão o paralisa.
Todo aquele que se dedica à filosofia quer viver para a verdade. Vá para onde for, aconteça-lhe o que
acontecer, sejam quais forem os homens que ele encontre e, principalmente, diante do que ele próprio pensa, sente e faz — está sempre interrogando. As coisas, as pessoas e ele próprio devem tornar-se claros a seus olhos. Ele não se afasta de seu contacto. Ao contrário, a ele se expõe. E prefere ser desgraçado em sua busca da verdade a ser feliz na ilusão.
Faz-se preciso que o que é se ponha manifesto.
É possível certa confiança, mas não a certeza. A verdade, mesmo quando nos abate, revela — se for realmente a verdade — aquilo que nos salva. E produz-se o milagre da filosofia: se recusarmos todos os enganos, afastarmos todos os véus, expusermos à luz todas as insinceridades, se nos obstinarmos a avançar de olhos abertos, sujeitando nossas críticas a outras críticas, essa crítica terminará por não ser destruidora. Muito ao contrário, veremos, por assim dizer, revelar-se o próprio fundamento das coisas onde vemos luz, como um restaurador vai-se apercebendo de um Rembrandt por sob a pintura posterior que o escondia.
E se a luz não se revelar? Se, ao fim, o homem descobrir a máscara de Górgona e vir-se transformado em pedra? Não temos o direito de olvidar que isso é suscetível de acontecer. A filosofia se expõe a abismos diante dos quais não deve fechar os olhos, assim como não pode esperar que desapareçam por encanto.
Torna-se mais clara do que nunca a questão que, desde o início, se pôs para o homem. O “sim” para a vida é a grande e bela aventura, porque permite a realização da razão, da verdade e do amor. O “não” à existência, traduzido pelo suicídio é a realidade para homens diante do cujo segredo permanecemos calados. Põe-se fronteira que não temos o direito de esquecer.

      5. A filosofia se destina ao homem enquanto homem ou apenas a uma elite fechada em si mesma? Para Platão, poucos homens são aptos para a filosofia e só adquirem tal aptidão após longa propedêutica. Há dois tipos de vida na Terra, disse Plotino, um próprio dos sábios e o outro da massa dos homens. Também Espinosa só espera filosofia do homem excepcional. Kant, porém, acredita que a rota por ele traçada pode tornar-se um caminho real: a filosofia aí está para todos. E seria mau se fosse diferente. Os filósofos não passam de elaboradores e guardiães de atas, onde tudo deve estar justificado com precisão máxima.
       Contra Platão, Plotino, e quase toda a tradição, acompanhamos Kant. Trata-se de uma decisão filosófica de grande alcance para a atitude interior do filósofo. Corresponde a uma recusa de se prosternar diante da realidade; foi assim até agora e assim é hoje; mas não deve permanecer assim e assim não continuará. Dar-se-ão ouvidos a exigências do homem como homem, exigências freqüentemente ocultadas e reduzidas de importância, afastadas e negligenciadas. A de­cisão cabe a cada indivíduo.
       Estaremos, talvez, transformando em virtude a trágica ausência de uma filosofia genial em nosso tempo? Não, a experiência de nossa própria mediocridade, do homem que, embora simples homem, pode compreender os grandes homens do passado, apropriar-se do que realizaram, aproximar-se deles, cheio de respeito, mas sem divinizá-los — essa experiência é encorajadora. O que está a nosso alcance está ao alcance de todos ou de quase todos, bastando que verdadeiramente o queiram.
       Há, na História, uma grande exceção. Os padres da Igreja cristã considerando que lhes tocava o dever de enunciar a salvação e de praticar obras de amor, dirigiam-se a todos os homens. E encontravam um argumento contra os filósofos gregos no fato de estes só se dirigirem aos eleitos. Lema da Igreja foi: ninguém que deseje crer está excluído. Aquilo que se revela, a plena claridade, nos sublimes pensamentos  dos eleitos esta contido na fé mais simples.
        Contudo, tal solicitude pelas massas é ambivalente: de­seja dominá-las e, ao mesmo tempo e no interesse de dominá-las, tolera a mentira e a superstição e se envolve no político. Em razão disso, esse grande exemplo histórico não nos pode servir de modelo.
       Outro inimigo da filosofia independente e, portanto, da liberdade do homem é o pensamento pretensamente democrático. Há razão em proclamar: o que não convém a todos deve, um dia, desaparecer. O que não desperta qual­quer eco é, a priori, desprovido de realidade. Mas é errôneo afirmar: sabemos qual seja essa realidade; o que hoje é, sempre será; o que não atua agora, jamais atuará; o homem não se modifica. Antes, caberia dizer: o que ainda está isolado poderá expandir-se; o que hoje não encontra eco poderá encontrá-lo amanhã; e, principalmente, o que é real para reduzido número de pessoas poderá tomar-se a realidade suprema de uma época e, sob tal forma, perpetuar-se; o que ainda não atingiu as massas poderá penetrá-las no futuro.
       Para libertar-se é inevitável que a verdade desça às massas, ao burburinho sonoro e confuso dos homens. A alternativa seria o domínio sobre as massas, a censura, a educação padronizada. E os seres humanos se tornariam matéria-prima - para os déspotas.
       Na incerteza, uma só coisa permanece: crer na possibilidade de liberdade humana e, alimentando essa crença, conservar-se ligado à Transcendência, sem a qual aquela convicção soçobraria.
       6. Continua-se a afirmar que, no mundo, a filosofia está consciente de sua impotência. Desperta poucas respostas e não dispõe nenhum poder de modelar o mundo; não é, de maneira alguma, um fator da História. Assim pareceu até agora.
      Mas a filosofia está longe de ser impotente no que diz respeito ao indivíduo. Aí, ela constitui, muito ao contrário, a grande força que leva o homem a encontrar o caminho para a liberdade Só ela possibilita a independência interior.
Ganho essa independência exatamente    quando e onde pareço completamente dependente, ou seja, quando reconheço que em minha liberdade, em meu amor, em minha razão - fui dado a mim mesmo. Nenhuma dessas coisas está sob meu poder eu não as faço surgir. Mas tudo quanto eu fizer surgir delas derivará.
       Se atinjo o ponto em que sou dado a mim mesmo, distancio-me de todas as coisas e, inclusive, de mim. Como que de um plano de observação externo a mim em verdade, inatingível contemplo o que acontece e o que faço. como se me fosse preciso atingir aquele plano para mergulhar na realidade histórica. De lá jorra a luz que faz crescer minha liberdade interior. Torno-me independente na medida em que vejo as coisas a essa luz.
       Essa independência é uma quietude, sem violência e sem orgulho. Tanto menos soberba quanto mais segura de si mesma. Evidencia-se permanecendo em obscuridade.
       Na independência, a liberdade não permanece vazia. Limitar-se a si mesmo não seria independência. A independência quer participar do mundo. Age. Ouve e responde aos apelos da sorte. Não foge às exigências do dia. Quando o destino parece deter as rédeas, ousa envolver-se em situações de risco, na esperança de vir a domina-las.
       Não obstante, aceita sempre critérios que não pode trair porque provêm de sua mesma origem. Traí-los seria aniquilar-se.
       7.  A independência do filósofo torna-se falsa quando se mescla de orgulho. No homem autêntico, o sentimento de independência sempre se acompanha do sentimento de impotência. o entusiasmo de poder sempre se acompanha do desespero de não poder, a esperança sempre se acompanha de um olhar lançado ao fim. Filosofar dá-nos lucidez total acerca das várias formas de nossa dependência, mas de maneira tal que, em vez de permanecermos esmagados por nossa impotência, encontramos, a partir de nossa independência, meio de recuperação.
      a) O quantitativo tem predominância sobre o qualitativo.  O universo, no seio do qual, a Terra, com todos os seus habitantes, não passa de um grão de poeira, tem predominância sobre nosso planeta. Na hierarquia em que figuram matéria, vida, alma e espírito, cada um dos estágios tem predominância sobre o seguinte. Ao fim, é a massa que tem preeminência. Diante dela, o indivíduo não conta. Só conta o universo, a matéria, a massa, o que tem peso.
Invertamos, porem, a escala de valores: o que há demais precioso no universo é o homem; na hierarquia das realidades, é o espírito; entre as massas, o indivíduo como ele próprio; entre as obras da natureza, as criadas pela arte humana. Se julgamos as coisas de maneira diversa, é por sucumbirmos à tentação do quantitativo e renunciarmos ao senso do humano.
       b) O conjunto da História — que ninguém pode conhecer, que não precisamos imaginar necessariamente como uma totalidade — avassala-nos. O indivíduo sente-se indefeso. Tudo o que ele é, é determinado por aquele conjunto. E ele deve curvar-se.
       Entretanto, o que se passa com a humanidade passa-se como resultado das farsas ínfimas de bilhões de indivíduos. Cada um é responsável pelo que faz, pela maneira como vive. Parece-nos que a História não tenha sentido, mas ela está penetrada de razão. E essa razão depende de nós.
       Permanece, porém, o fato de que diretamente real para nós é o meio que, de imediato, nos cerca. Nosso primeiro dever é para com ele. Quando desesperamos do futuro, porque não podemos orientar o curso dos acontecimentos, ou quando nos exaurimos em clamores vãos, como se disso dependesse o movimento do universo, estamos esquecendo o que nos toca mais de perto. Afirmamo-nos na realidade desse pequeno mundo que nos cerca. E, através dele, participamos do conjunto.
8. Na época atual, fazemo-nos conscientes de nossa impotência divisando-lhe um ângulo novo. Todos sabemos que a democracia é corrupta no seu operar, embora continue sendo a única via possível para a liberdade. Mais duvidoso e seu alcance entre povos em que ela não tem origem histórica própria.
       Satisfazer-se com o milagre econômico é o ópio do mundo livre. O resto do mundo inveja esse milagre, mas não tem as condições capazes de propiciá-lo e lança ao mando livre a culpa de suas desventuras.
No mundo ocidental. o econômico predomina sobre o político. E isso eqüivale a dizer que o Ocidente está cavando a própria cova Nele, a liberdade política se reduz constantemente. É, com freqüência, incompreendida. Assiste-se à desaparição do sentimento de liberdade e do espírito de sacrifício.
Em todo o mundo, manifestam-se tendências à ditadura militar e ao totalitarismo, pois a liberdade se degrada. Os povos se fazem presa dos poderosos.
Se continuar, a explosão demográfica levará necessariamente a uma conflagração que exterminara inúmeras vidas humanas.
Os povos de cor (mais de dois terços da humanidade) voltam-se contra os brancos, cheios de ressentimento e com determinação crescente.
      A bomba atômica pesa sobre todos nós. Por algum tempo, ela continuará a impedir a grande conflagração que (não sabemos quando) provocará o aniquilamento total, se os homens continuarem a ser o que são hoje.
      Até agora, quando Estados, povos ou civilizações pereciam, outros lhes tomavam o posto. Um elemento permanecia — a humanidade. Atualmente, caberia perguntar se a humanidade não está a ponto de cometer suicídio generalizado.
       No ínterim, podemos gozar a vida, permanecendo, porém, ao pé do cadafalso. Ou afastamos o perigo mortal ou deveremos estar preparados para a catástrofe.
       É escandalosa a tranqüilidade do mundo ocidental, tranqüilidade baseada na presunção de que essa agradável maneira de viver terá duração indefinida. As conseqüências das ilusões voluntárias de antes e após 1914 não nos terão ensinado ao que leva essa irresponsabilidade política e moral?
       Nossa época vive entre dois abismos. Compete-nos escolher: deixar-nos tombar no abismo da ruína do homem e do universo, com a conseqüente extinção de toda vida ter­rena, ou cobrar ânimo para nos transformarmos, dando surgimento ao homem autêntico, ante o qual se abrirão possibilidades infinitas.
      9.   Em tal contexto, qual o papel da filosofia?
      Ensina, pelo menos, a não nos deixarmos iludir. Não permite que se descarte fato algum e nenhuma possibilidade. Ensina a encarar de frente a catástrofe possível. Em meio à serenidade do mundo, ela faz surgir a inquietude. Mas proíbe a atitude tola de considerar inevitável a catástrofe. Com efeito, apesar de tudo, o futuro depende também de nós.
      Se fosse vigorosa em sua elaboração, convincente por seus argumentos e digna de fé pela integridade de seus expositores, a filosofia poderia tornar-se instrumento de salvação. Só ela tem o poder de alterar nossa forma de pensamento.
      Mesmo diante do desastre possível e total, a filosofia continuaria a preservar a dignidade do homem em declínio. Numa comunidade de destinos, que se apóie na verdade, o homem encara face a face seja o que for.
      Não se confunde o declínio com o nada. Em meio ao desastre, a última palavra cabe ao homem, que ama e conserva confiança incompreensível no fundamento das coisas.
      Para falar sob forma de enigma: a origem de que brotaram o universo, a terra, a vida, o homem e a História encerra possibilidades que nos são inacessíveis. Enfrentando de frente o desastre, asseguramo-nos dessas possibilidades.
Fazemos uma tentativa, à qual outras hão de seguir-se, continuadamente. Mas, presentes, por um instante, nessa tentativa, o amor e a verdade atestam tratar-se de 1 mais que uma tentativa. Uma palavra de eternidade foi pronunciada.
      Nenhum pensamento suscetível de ser concretizado, nenhum  conhecimento, nada de fisicamente tangível, nenhum dos enigmas por nós mencionados pode adentrar a eternidade.

Mas, para alem de todos os enigmas, o pensamento penetra no silêncio pleno de insondável razão.

Nota do INEP sobre o Adiamento do ENEM


O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é um dos grandes interesses dos nossos estudantes do ensino médio integrado aos cursos técnicos, em especial, devido a sua utilização para o ingresso no ensino superior. Tendo em vista essa situação postaremos algumas notas envolvendo a situação, em especial,  do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Segue a nota eo cronograma e quem quiser saber mais informações a Live organizada pelo Grêmio Estudantil Valdemar dos Pássaros em suas redes sociais. O INEP ainda divulgou um vídeo para falar sobre a importância da divulgação do edital. 


NOTA na ÍNTEGRA divulgada pelo INEP
Sobre as diversas manifestações face a um possível adiamento das datas de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, em suas versões impressa e digital, incluindo nota divulgada à imprensa pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) esclarece: 
A edição anual do Enem é um longo e complexo processo, que compreende diversas etapas. Envolve os participantes, sejam aqueles que estão concluindo o ensino médio, sejam aqueles que já possuem o diploma; a importante parceria com as Secretarias de Educação dos estados e municípios; os órgãos de segurança federais e estaduais; o Exército; as instituições de ensino superior públicas e privadas; bem como os Correios e o consórcio aplicador.
O Inep entende que o Enem é uma das políticas públicas de educação mais importantes, a ser prestada anualmente, pois, além de avaliar o ensino médio, significa a porta de entrada ao ensino superior para milhões de brasileiros. Por esse motivo, o Inep está buscando garantir sua execução adequada, não apenas para cumprir com seu dever institucional, mas, principalmente, para não prejudicar mais ainda a sociedade brasileira. Inclusive, com o Enem Digital é oferecida à sociedade mais de uma aplicação durante o ano.
Para que haja a execução do Enem, é preciso cumprir com as diversas etapas que antecedem a data de aplicação do exame, como a elaboração da prova, os pedidos e a análise de isenção da taxa de inscrição, a efetivação da inscrição, a impressão, a logística e a distribuição, além de todos os subprocessos associados a essas grandes etapas. Por isso, a publicação dos editais do Enem 2020 é fundamental neste momento, de modo a garantir à sociedade que a concretização dessa política pública seja preservada e para que seja dado início, pelo Inep, à preparação e à viabilidade de execução desta edição do Enem.
O Inep confia no excelente diálogo que possui não apenas com o Consed, mas também com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), com o Conselho Nacional de Educação (CNE) e com demais entidades que representam o ensino superior público e privado, baseado no respeito mútuo, no bom senso e no propósito de engrandecer a educação no Brasil.
Não houve, até o presente momento, manifestação formal ao Inep por parte do Consed. No entanto, o Instituto reforça possuir um diálogo sempre aberto junto às mais diversas entidades e à sociedade em geral, destacando que todas as sugestões e críticas apresentadas são muito importantes para o aprimoramento de suas atividades. O Inep garante que cada uma delas será avaliada e discutida, sempre buscando o que seja melhor para a educação brasileira.

O INEP ainda divulgou um vídeo para falar sobre a importância da divulgação do edital. 

Vamos saber um pouco mais sobre esse tema? 






Nota do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED): Adiamento do ENEM

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é um dos grandes interesses dos nossos estudantes do ensino médio integrado aos cursos técnicos, em especial, devido a sua utilização para o ingresso no ensino superior. Tendo em vista essa situação postaremos algumas notas envolvendo a situação, em especial,  do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Segue a nota e quem quiser saber mais informações a Live organizada pelo Grêmio Estudantil Valdemar dos Pássaros em suas redes sociais.

Nota divulgada pela UNE e pela UBES: Adiamento do Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é um dos grandes interesses dos nossos estudantes do ensino médio integrado aos cursos técnicos, em especial, devido a sua utilização para o ingresso no ensino superior. Tendo em vista essa situação postaremos algumas notas envolvendo a situação, em especial,  do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Segue a nota e quem quiser saber mais informações a Live organizada pelo Grêmio Estudantil Valdemar dos Pássaros em suas redes sociais.

ADIA ENEM 

Para que nenhum estudante tenha seu ingresso na universidade prejudicado pela crise da Covid-19 e pelo MEC. O Ministro da Educação e o presidente do INEP anunciaram no dia 31/03 (Terça-feira) a data do ENEM 2020 e, sem nenhuma sensibilidade para o momento que vivemos, optaram por manter o mesmo cronograma de realização das provas, para os dias 1 e 8 de novembro. Sabemos que todas as escolas e universidades estão com atividades presenciais paralisadas por recomendação dos órgãos e especialistas em saúde para preservar aquilo que é o mais importante, as vidas das pessoas. 

Diferente do que diz o Ministro, é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições essa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas. Muitos desses jovens sequer têm acesso às ferramentas necessárias para atividades virtuais, e mesmo que tivessem sabemos que o aproveitamento do ensino-aprendizagem fica fortemente em defasagem em relação às atividades presenciais.

Portanto, entendemos que esse não é o momento para divulgar o edital mantendo as datas pensadas anteriormente para o cronograma do ENEM. É momento de pensar soluções para preservar vida da nossa população no enfrentamento à pandemia, mas também para que os estudantes não sejam prejudicados no futuro.

Defendemos a suspensão do edital, e um novo debate sobre o cronograma do ENEM propondo o adiamento da aplicação das provas e buscando soluções para ajuste dos calendários em conjunto com a rede de ensino básico e de ensino superior brasileiras. 

União Brasileiras dos Estudantes
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas






Confiram maiores informações no site da UBES e da UNE, bem como aproveitem para conferir o PLANO EMERGENCIAL PARA ESCOLAS, INSTITUIÇÕES DE ENSINO E DEPESQUISAS DURANTE O PERÍODO DE SUSPENSÃO DAS AULAS PORCONTA DO COVID-19 elaborado e assinado pela União Nacional dos Estudantes,União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e Associação Nacional de Pós-Graduandos. 

terça-feira, 7 de abril de 2020

Desafio do Dia

 Hoje, Dia Mundial da Saúde, objetivamos conscientizar acerca da prevenção. Sob patrocínio da OMS, a data vem se repetindo desde 1948. Em tempos de pandemia, há o movimento necessário em prol da prevenção? Como as pessoas lidam com as informações acerca dos seus deveres momentâneos? Esses questionamentos nos guiam ao nosso desafio. 
Filósofo do dia:
 Hipócrates, pai da medicina. Tema: Cumprimento do papel de cidadão quanto as medidas preventivas. Qual era a relação de Hipócrates e a construção social da antiguidade sobre diagnóstico e tratamento? 

Linguagem 
Marketing e propaganda de conscientização. No contexto pandêmico muitos vêm produzindo e divulgando conteúdos que enaltecem o serviço dos profissionais de saúde. Seria construtivo dar mais atenção a postagens do tipo e consequentemente desenvolver um olhar mais empático e grato em relação aos métodos de prevenção e trabalho desempenhado pelos profissionais de tais áreas. 

Realidade do dia:
 Esse momento é importante para que se reflita sobre as melhorias de qualidade de vida e sobre os diversos fatores de saúde que influenciam a sociedade como um todo. 
Ação do dia: A proposta de hoje é se informar sobre as dificuldades enfrentadas por quem está cuidando diretamente das vítimas do COVID-19, e refletir sobre as demandas dentro dos hospitais.

Desafio organizado pela gestão colegiada do Projeto Filosofia em Tempos de Pandemia

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Cronograma ENEM 2020 - adiamento do ENEM?

Até o momento, o cronograma do ENEM não foi alterado mesmo em meio a Pandemia provocada pelo COVID19 que assola o país e mantém muitos estudantes brasileiros em distanciamento social. Segue o cronograma: 
Solicitação da isenção e justificativa de ausência -  6 a 17 de abril
Resultado da isenção - 24 de abril
Inscrições -  11 a 22 de maio
Nome social -  25 a 29 de maio

  • Provas - Enem Digital: 11 e 18 de outubro
  • Provas - Enem Impresso: 1º e 8 de novembro

Sobre o atual cronograma, o grêmio estudantil Valdemar dos Pássaros avisa:


Lembrando que o período de solicitação da isenção do Enem 2020 e para justificativas de falta da edição de 2019 inicia hoje e vai até o dia 06 a 17 de abril.

Quem está isento? 

·         Estudantes de escola pública que estejam no último ano do ensino médio em 2020. 
·         Estudantes que cursaram todo o ensino médio na rede pública, 
·          Estudantes bolsistas em colégio privado que tenham renda igual ou menor que um salário mínimo. 
·         Estudantes que estejam em situação de vulnerabilidade socioeconômica por ser membro de família de baixa renda. [Para se increver, o candidato deve informar o Número de Identificação Social (NIS), único e válido. É preciso ter renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal de até três salários mínimos]. 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Desafio do Dia

Como as coisas surgiram? Do que o mundo é feito? Essas são as perguntas que guiam nosso desafio. 

Filósofos do dia

 Leucipo e Demócrito. Tema - a teoria do atomismo. Motivo - a atualidade e importancia da química desde os filósofos pré-socráticos até esse tempo de pandemia. 

Linguagem  

charges e quadrinhos -  vendo nossa imagem de hoje, podemos conhecer esse que relaciona o consumo e estoque de álcool em gel, que tal conhecer o criador de "um sábado qualquer"?

 Realidade do dia

No dia 3 de abril, completa-se 72 anos de implementação do Marshall como medida de recuperação econômica pelos Estados Unidos pós segunda guerra mundial.  Ação do dia: buscar artistas, obras e compartilhe charges e quadrinhos sobre. Ainda pensado na relação entre economia e sociedade em tempos de covid19 e as medidas de recuperação em meio a crise, nossa segunda opção de ação do dia é conhecer, divulgar ou consumir algo a partir de pequenos produtores. 

#filosofiaemtemposdepandemia #estamosjuntosadistancia