quinta-feira, 2 de abril de 2020

Questões de Filosofia


Questões de Filosofia 1
Tema: História da Filosofia/ Filosofia em Geral

1.  Vernant conclui em As Origens do Pensamento Grego que:
a) a jovem ciência dos jônios espelha a razão intemporal que veio encarnar-se no Tempo.
b) recolocada na história, prova-se que a filosofia reveste-se de um caráter de revelação absoluta.
c) é no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se.
d) a escola de Mileto fez nascer a própria Razão, que foi aprimorada pela razão experimental.

2. Na geração do cosmo, a preponderância à terra, ao fogo, à água e ao ar costuma ser atribuída, respectivamente, aos seguintes pensadores pré-socráticos:
a) Parmênides, Heráclito, Tales e Pitágoras.
b) Xenófanes, Heráclito, Tales e Anaxímenes.
c) Pitágoras, Anaxágoras, Tales e Anaximandro.
d) Empédocles, Anaximandro, Tales e Parmênides.

3. "Para defender-nos, teremos de necessariamente discutir a tese de nosso pai Parmênides e demonstrar, pela força de nossos argumentos que, em certo sentido, o não ser é; e que, por sua vez, o ser, de certa forma, não é. (...) Enquanto não houvermos feito esta contestação, nem essa demonstração, não poderemos, de forma alguma, falar nem de discursos falsos nem de opiniões falsas" (Platão, Sofista, 241d-e).
I. O falso é possível porque
II. O não ser, em certo sentido, é.
As afirmações I e II dizem respeito ao trecho citado do Sofista de Platão. A alternativa correta é:
a) I é verdadeira e II é verdadeira, e II é condição para I.
b) I é verdadeira e II é verdadeira, mas II não é condição para I.
c) I é verdadeira e II é falsa, e II não é condição para I.
d) I é verdadeira e II é verdadeira, e I é condição para II.

4. Na República, livro VII, apresenta-se a "alegoria da caverna", em que se diz que, quando o homem sai da caverna, ele vê o sol e esse corresponde à ideia do Bem.
De acordo com esse texto de Platão, pode-se afirmar que o conhecimento:
a) está vinculado a uma maneira de viver, mas tal alegoria mostra que não é assim que se encontra a verdade.
b) não é pensado, na vida dos homens, como vinculado a um modo de vida; a alegoria é apenas ilusória.
c) está vinculado a uma maneira de viver, e a educação oferece os meios para a alma voltar-se para o Bem.
d) não é pensado, na vida dos homens, como vinculado a um modo de vida; a alegoria mostra que o homem pode ser feliz.

5. "Tem presente, portanto, que concordaste que também é justo cometer atos prejudiciais aos governantes e aos mais poderosos, quando os governantes, involuntariamente, tomam determinações inconvenientes para eles - uma vez que declaras ser justo que os súditos executem o que prescreveram os governantes." (Platão, República, 339e)
Em meio à discussão sobre a justiça, Sócrates sintetiza do modo acima citado a posição de Trasímaco.
As afirmações de Trasímaco que dão base a essa síntese de Sócrates são:
a) Justiça é fazer o mal para os mais fracos; os que obedecem devem, às vezes, recusar-se a obedecer aos mais fortes.
b) Justiça é fingir que se faz o bem geral, visando ao proveito próprio; deve-se fazer os fracos pensarem que as decisões dos fortes os favorecem.
c) É justo obedecer àqueles que governam; os governantes são passíveis de cair em erro em suas decisões.
d) Justiça é aquilo que convém ao mais forte; os governantes nunca se enganam ao intentar tomar decisões que lhes favorecem.

6. Em O Banquete (203b-204d; 210a-212d), de Platão, Sócrates apresenta os ensinamentos de Diotima sobre o amor e a beleza.
Sobre o modo como esses conceitos são compreendidos nesse trecho, pode-se afirmar que:
a) o amor aos belos corpos deve abrir o caminho à contemplação da beleza em si.
b) só os sábios desejam o que é belo, pois os ignorantes não reconhecem a beleza.
c) o amor pelos belos corpos é suficiente para a contemplação da beleza em si.
d) Eros, por ser belo, deve ser objeto de contemplação apenas dos filósofos.

7. Segundo Aristóteles (Metafísica, IV, 1, 1003a20-30), a ciência do ser enquanto ser e as demais ciências consideram, respectivamente:
a) o ser enquanto ser universalmente - os princípios constitutivos da realidade como um todo.
b) as características particulares do ser enquanto ser - as características universais do ser.
c) o ser enquanto ser universalmente - as características de uma parte do ser.
d) as características particulares do ser enquanto ser - as características de uma parte do ser.

8. Segundo Aristóteles, "nos tornamos justos praticando atos justos" (Ética a Nicômaco, II, 1103b).
A afirmação que melhor expressa seu pensamento está indicada em:
a) basta a compreensão do sumo bem para tornar possível a vida moral.
b) adquirimos as virtudes ou excelências morais por meio da prática habitual.
c) somos naturalmente injustos e só realizamos a justiça pela instrução.
d) é preciso agir contrariamente à natureza para nos tornarmos justos.

9. Aristóteles afirma que a linguagem permite ao homem expressar em comum as noções de desvantajoso e vantajoso, justo ou injusto.
Essa afirmação leva o autor a concluir que o homem:
a) possui naturalmente tais noções éticas e, portanto, pode associar-se em torno delas na família e no Estado (pólis).
b) não possui naturalmente tais noções éticas, mas pode chegar a um acordo sobre o modo de vivê-las na família e no Estado (pólis).
c) possui naturalmente tais noções éticas, mas não pode associar-se em nenhuma instância, seja na família ou no Estado (pólis).
d) não possui naturalmente tais noções éticas, mas a transferência de poder a um governante é o que possibilita a vida no Estado (pólis).


10. "Começando a lê-los [os livros da Sagrada Escritura] notei que tudo que havia de verdadeiro nos textos platônicos também se encontrava nesses textos em meio à proclamação de Vossa graça" (Agostinho, Confissões, VII, 21).
A afirmação acima endossa uma tese muito comum à investigação filosófica e teológica da Idade Média cristã, a saber:
a) Platão teve acesso aos escritos de Moisés e não fez nada além de ocultar a originalidade do profeta hebreu.
b) As verdades cristãs não são compatíveis com nenhuma espécie de conhecimento filosófico ou racional.
c) A Revelação é historicamente anterior à Filosofia, e esta última não pode contribuir em nada para esclarecer os conteúdos da fé.
d) A Revelação é mais ampla que a Filosofia por abarcar verdades que esta última não alcançaria por si só e ainda por conter verdades filosóficas.

11. Observe as afirmações e responda:
I. Deus é o Criador do mundo.
II. A existência do mal no mundo não é responsabilidade de Deus.
Agostinho concilia essas duas teses da seguinte forma:
a) O mundo, por ser substância divina, é bom em si mesmo; apenas os homens experimentam as coisas como más de modo absoluto.
b) Deus cria o mundo através de dois princípios coeternos equivalentes em luta permanente, a saber: o Bem e o Mal, este último princípio explica a segunda tese.
c) Tudo que Deus cria é bom, inclusive a vontade do homem, que escolhe, livremente, trocar o Bem imutável pelos bens mutáveis, isto é, pecar.
d) Ontologicamente, apenas Deus é bom; a simples existência das coisas criadas, portanto, já permite justificar a possibilidade de algum mal no mundo.

12. "Existe algo verdadeiríssimo, ótimo, nobilíssimo e, por conseguinte, o ser máximo, pois todas as coisas que são verdadeiras ao máximo são os maiores seres (...). O que é máximo em algum gênero é causa de tudo o que é daquele gênero." (Tomás de Aquino, Suma teológica, I, q. 2, a. 1)
"A perfeição do universo requer que haja coisas incorruptíveis assim como coisas corruptíveis, portanto, que haja coisas que possam deixar de ser boas, o que de fato por vezes ocorre." (Tomás de Aquino, Suma teológica, I, q. 48, a. 2)
Essas citações são passos argumentativos que levam Tomás de Aquino a concluir, respectivamente, que:
a) Deus é a causa da existência de todos os seres, assim como de toda bondade e qualquer perfeição; e o mal está presente nas coisas.
b) Deus é a causa da existência de todos os seres, assim como de toda bondade e qualquer perfeição; e, portanto, o mal não pode estar presente nas coisas.
c) filosoficamente, não se pode provar a existência de Deus, mas apenas de um gênero supremo (ser); e não se pode concluir pela presença ou não do mal nas coisas.
d) filosoficamente, não se pode provar a existência de Deus, mas apenas dos gêneros relativos às perfeições; e o mal está presente nas coisas.

13. "O intelecto humano se põe no meio [entre os sentidos e o intelecto angélico]: não é ato de um órgão corporal, mas é uma potência da alma, que é forma do corpo, como ficou demonstrado. Por isso, é sua propriedade conhecer a forma que existe individualizada em uma matéria corporal, mas não essa forma enquanto está em tal matéria. Ora, conhecer dessa maneira, é abstrair a forma da matéria individual, que as representações imaginárias significam." (Tomás de Aquino. Suma teológica, I, q. 85, a. 1.)
I. O intelecto humano conhece por abstração porque
II. A alma, da qual esse intelecto é potência, é forma do corpo.
Considerando o trecho acima e as duas afirmações sobre a teoria da abstração em Tomás de Aquino:
a) I é verdadeira e II é falsa, e II não é condição para I.
b) I é verdadeira e II é verdadeira, mas II não é condição para I.
c) I é verdadeira e II é verdadeira, e II é condição para I.
d) I é verdadeira e II é verdadeira, e I é condição para II.

14. Em suas Meditações Metafísicas, Descartes tem em vista abandonar todas as opiniões que se mostram duvidosas e incertas que são tomadas como "princípios mal assegurados".
Com isso, Descartes tem por objetivo:
a) defender que são impossíveis verdades objetivas, apenas subjetivas.
b) rejeitar ceticamente qualquer fundamento para a ciência.
c) demonstrar que a matemática é o fundamento do conhecimento.
d) estabelecer algo de constante e de firme nas ciências.

15. Segundo Hobbes (Leviatã, XIV), "o direito consiste na liberdade de fazer ou de omitir, ao passo que a lei determina ou obriga a uma dessas duas coisas".
Além disso, o autor afirma como regra geral da razão "que todo homem deve esforçar-se pela paz, na medida em que tenha esperança de consegui-la, e caso não a consiga pode procurar e usar todas as ajudas e vantagens da guerra".
A primeira e a segunda parte dessa regra geral da razão encerram, respectivamente:
a) a lei de natureza, por conter uma obrigação - o direito de natureza, por ser um preceito de liberdade.
b) a lei de natureza, por ser preceito de liberdade - o direito de natureza, por conter uma obrigação.
c) o direito de natureza, por conter uma obrigação - a lei de natureza, por ser preceito de liberdade.
d) o direito de natureza, por ser um preceito de liberdade - a lei de natureza, por conter uma obrigação.

16. Apenas os princípios da não contradição e da identidade nascem conosco.
Diante dessa tese, Locke:
a) concorda; sem esses princípios nenhuma percepção lógica da realidade é possível.
b) concorda; na idade adulta todos os homens alcançam essas máximas.
c) discorda; se assim fosse, crianças e idiotas também alcançariam esses princípios.
d) discorda; tais noções primitivas são recebidas na alma no momento de sua criação.

17. Para Rousseau, quando alguém ousou dizer "Isto é meu" e encontrou pessoas que lhe deram crédito, foi fundada a sociedade civil, a qual significa o afastamento da vida natural.
Sobre tal afastamento, considere as seguintes teses:
I. Os homens adquiriram uma ideia de propriedade distante do primeiro estado de natureza;
II. A bondade própria ao puro estado de natureza não convinha à sociedade civil nascente;
III. No estado de natureza os homens viviam livres e felizes;
IV. A igualdade desapareceu, a propriedade se introduziu e o trabalho se tornou necessário.
De acordo com Rousseau, estão corretas:
a) apenas as teses I e II.
b) apenas as teses I e III.
c) apenas as teses I e IV.
d) as teses I, II, III e IV.

18. Em sua Investigação sobre o entendimento humano, Hume distingue as percepções da mente humana em dois tipos: de um lado, o pensamento (ou as ideias); de outro, as impressões (as sensações).
Sobre essas percepções, pode-se afirmar que o pensamento:
a) é menos vivaz do que a mais embotada das sensações.
b) atinge sempre a mesma vivacidade que as sensações.
c) é tão vivaz quanto as sensações, por ir além da experiência.
d) é mais vivaz que as sensações, por ser mais complexo.

19. Na "Quarta Proposição" da Ideia de Uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita, Kant escreve:
"O meio de que a natureza se serve para realizar o desenvolvimento de todas as suas disposições é o antagonismo delas na sociedade, na medida em que ele se torna ao fim a causa de uma ordem regulada por leis desta sociedade. Eu entendo aqui por antagonismo a insociável sociabilidade dos homens, ou seja, sua tendência a entrar em sociedade que está ligada a uma oposição geral que ameaça constantemente dissolver essa sociedade. Esta disposição é evidente na natureza humana."
Com base nesse texto, o antagonismo que leva ao desenvolvimento das disposições naturais dos homens ocorre entre:
a) a tendência individual para a socialização e a disposição para a vida natural.
b) diferentes sociedades em estado de guerra, e não entre indivíduos isolados.
c) diferentes classes sociais; cada época possui seu próprio conflito entre classes.
d) a tendência para a socialização e uma oposição geral dos indivíduos entre si.

20. Segundo Kant, na Crítica da Razão Pura, as formas originárias da sensibilidade, espaço e tempo, são:
a) conceitos a priori, mas não puros, pois pertencem à sensibilidade.
b) condições necessárias de todas as relações em que objetos são intuídos.
c) intuições a priori, mas não puras, pois constituem o objeto empírico.
d) conceitos puros a priori, que organizam os objetos empíricos.

21. Kant, na "Analítica do belo", na Crítica da faculdade de julgar, compreende o juízo de gosto como faculdade do julgamento do belo.
Sobre os conceitos "juízo de gosto" e "belo", pode-se afirmar, respectivamente, que:
a) é determinado independentemente de todo interesse - apraz universalmente sem conceito.
b) é determinado independentemente de todo interesse - apraz particularmente através de conceitos.
c) é constituído pelo interesse no que é agradável - apraz particularmente sem conceito.
d) é constituído pelo interesse no que é bom - apraz universalmente através de conceitos.

22. "O saber que é o nosso objeto em primeiro lugar e imediatamente, não pode ser senão aquele que é, ele próprio, saber imediato, saber do imediato ou do existente. Igualmente devemos nos comportar de modo imediato e receptivo e, portanto, não mudando nele coisa alguma com relação ao modo como se oferece e mantendo afastada da nossa apreensão a atividade de conceber." (Hegel. Fenomenologia do espírito.)
A passagem citada acima refere-se à:
a) pré-consciência, quando a consciência não iniciou sua formação.
b) certeza sensível, que desconsidera qualquer mediação.
c) percepção, pois ser receptivo e ser perceptivo são o mesmo.
d) consciência de si, pois o modo como ela se oferece não muda.

Questão 23
23. A alternativa que corresponde mais adequadamente ao materialismo de Marx é:
a) O ser não determina a consciência, isto é, a subjetividade humana determina a vida material.
b) A sensibilidade e o objeto devem ser apreendidos como atividade prática, humana e sensível.
c) O idealismo concebe a atividade de modo concreto, ao reconhecê-la como real e sensível.
d) As forças produtivas sociais equivalem ao sujeito, e as relações de produção equivalem ao objeto.

24. São constitutivos da fenomenologia de Husserl:
a) método da crítica do conhecimento, doutrina universal das essências, círculo hermenêutico.
b) pressuposição da realidade dada, suspensão do juízo da atitude natural, método indutivo.
c) doutrina particular das essências, suspensão do juízo da atitude natural, método experimental.
d) suspensão do juízo da atitude natural, intencionalidade, doutrina universal das essências.

25. Em "Que é metafísica?", Heidegger afirma que são características de toda questão metafísica e de sua formulação, respectivamente:
a) abarcar a totalidade da metafísica - quem interroga é, enquanto tal, problematizado na questão.
b) abarcar a totalidade da metafísica - a ciência é, enquanto tal, sempre colocada em questão.
c) basear-se em pesquisas históricas - quem interroga é, enquanto tal, problematizado na questão.
d) basear-se em pesquisas históricas - a ciência é, enquanto tal, sempre colocada em questão.

Questão 26
26. "Toda interpretação que se coloca no movimento de compreender já deve ter compreendido o que se quer interpretar" (Ser e tempo, § 32).
Nesse trecho, Heidegger caracteriza o conceito de:
a) disposição afetiva.
b) círculo hermenêutico.
c) circularidade lógica.
d) primado ontológico.

27. Em O existencialismo é um humanismo, Sartre cita Dostoievski: "Se Deus não existe, tudo é permitido".
A interpretação de Sartre sobre essa sentença está indicada de modo mais adequado em:
a) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; o homem, condenado à liberdade e lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz.
b) Ou a moral não tem um fundamento absoluto (Deus), ou não há moral possível; como essa fundamentação moral é necessária, Deus tem de, necessariamente, existir.
c) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; é necessário então afirmar o relativismo moral para toda e qualquer ação humana.
d) Deus não existe e não há essência humana anterior à sua existência; no entanto, é necessário considerar certos valores como existindo a priori.

28. "Muito embora o planejamento do mecanismo pelos organizadores dos dados, isto é, pela indústria cultural, seja imposto a esta pelo peso da sociedade que permanece irracional apesar de toda racionalização, essa tendência fatal é transformada em sua passagem pelas agências do capital de modo a aparecer como o sábio desígnio dessas agências. Para o consumidor, não há nada mais a classificar que não tenha sido antecipado no esquematismo da produção. A arte sem sonho destinada ao povo realiza aquele idealismo sonhador que ia longe demais para o idealismo crítico." (Dialética do esclarecimento, "A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas")
A partir do trecho acima e de acordo com a concepção de Adorno e Horkheimer sobre a indústria cultural, pode-se afirmar que:
a) a "arte sem sonho" destinada às grandes massas é mais realista, e por isso capaz de superar o idealismo crítico.
b) os artistas, individual e coletivamente, são capazes de estabelecer os fins da produção cultural de forma autônoma.
c) a indústria, ao realizar o esquematismo para os sujeitos-clientes, realiza a formação dos sujeitos autônomos.
d) a racionalidade técnica dominante na indústria não é suficiente para a criação de uma sociedade racional.

29. Em A Lógica da pesquisa Científica, Popper defende que as teorias científicas devem:
a) ser constituídas por enunciados universais passíveis de falseamento.
b) ser constituídas por inferência de enunciados universais a partir de singulares.
c) fundamentar os enunciados científicos pela verificação dos fatos.
d) fundamentar a explicação dos fatos pelo método indutivo.

30. Em A estrutura das revoluções científicas, Kuhn tem por objetivo:
a) estabelecer uma separação nítida entre ciência, religião e metafísica.
b) apresentar um modelo que justifique a ciência como concepção de mundo atemporal.
c) mostrar que a ciência se desenvolve apenas pela acumulação de descobertas.
d) esboçar um conceito de ciência diverso do estereótipo a-histórico que se atribui a ela.

31. Acerca da investigação sobre o poder realizada por Foucault em Vigiar e punir, é mais adequado afirmar que:
a) não se encontra ainda a elaboração de uma microfísica do poder, pois se trata de realizar a genealogia das grandes instituições penitenciárias.
b) poder e saber estão diretamente implicados: as relações de poder constituem sempre campos de saber; e saber sempre supõe e constitui relações de poder.
c) a constituição do sujeito livre e capaz de conhecimento é o requisito fundamental para a análise e compreensão dos mecanismos do poder.
d) a descoberta do poder disciplinar como inspirador do Panopticon é a realização que permite compreender o poder como apropriação.

32. "A única versão defensável da doutrina do caráter sagrado da vida humana era o que poderíamos chamar de "doutrina do caráter sagrado da vida pessoal". Sugeri que, se a vida humana tem mesmo um valor especial ou um direito especial a ser protegida, ela os tem na medida em que a maior parte dos seres humanos são pessoas." (Singer, Peter. Ética prática, capítulo 5).
Baseado nessa versão da "doutrina do caráter sagrado da vida humana", Peter Singer afirma que, se alguns animais são pessoas, então a vida desses animais:
a) deve ter o mesmo valor especial, ou o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
b) deve ter o mesmo valor especial, mas não o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
c) não tem nenhum valor especial, mas tem o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.
d) não tem nenhum valor especial, nem o mesmo direito à proteção que a dos seres humanos que são pessoas.

33. Alguns filósofos criticaram a metafísica e o pensamento filosófico tradicional.
Sobre essas críticas, pode-se afirmar que:
a) Segundo Kant, a metafísica não é possível como ciência porque o fenômeno só pode ser apreendido por uma intuição intelectual.
b) Segundo Nietzsche, as teorias metafísicas realizam uma integração completa entre valores absolutos que devem, ao contrário, ser opostos.
c) Segundo Heidegger, são dois os preconceitos que perpassam a pergunta pelo ser: o ser é o conceito mais universal e o ser é o imediato indeterminado.
d) Segundo Wittgenstein, nas Investigações filosóficas, a filosofia não pode fundamentar nem deduzir, mas apenas descrever o uso da linguagem.

34. Inteligência, entendimento, fé e suposição. Essa ordem indica, decrescentemente, "graus de clareza" quanto aos objetos de conhecimento para:
a) Platão, que relaciona tais graus de clareza ao que seus respectivos objetos têm de verdade.
b) Tomás de Aquino, pois sem inteligência e entendimento, fé é mera adesão ao testemunho de outro.
c) Descartes, que considera a clareza e a distinção como critérios para separar verdade e falsidade.
d) Kant, pois associa fé à opinião, e os objetos da inteligência e do entendimento à razão pura.

35. Na filosofia contemporânea, pode-se afirmar que a verdade, de acordo com:
a) Marx é realizada na práxis, isto é, a teoria deve ser completamente abandonada em favor da prática.
b) Nietzsche é um conjunto de ilusões que parece canônico após longo uso, por se ter esquecido seu caráter metafórico.
c) Heidegger é em sentido originário (alétheia), uma propriedade primordialmente atribuída às proposições.
d) Wittgenstein é a correspondência específica com os fatos realizada na figuração dos jogos de linguagem.

36. A respeito da reflexão filosófica sobre a moral, pode-se afirmar que, segundo:
a) Hume, de fatos podem se deduzir normas, por isso a ética deve ser derivada da ciência.
b) Kant, o dever é a imposição da lei moral dada pelas inclinações e necessidades humanas.
c) Nietzsche, todos os valores absolutos devem ser acolhidos a partir da perspectiva da vida.
d) Mill, a utilidade é a capacidade de promover a maior felicidade para o maior número.

37. O desejo é uma noção próxima de outras, como apetite, paixões, inclinações e refere-se, de modo geral, a impulsos ou tendências que não são guiados pela razão.
Sobre algumas formas mais clássicas de se conceber o desejo, pode-se afirmar que, de acordo com:
a) Aristóteles, as paixões humanas estão relacionadas ao saber prático, e excluem quaisquer relações com o saber teorético.
b) Maquiavel, o príncipe, para conservar seu poder e sua respeitabilidade, sempre deve satisfazer os desejos dos súditos.
c) Nietzsche, grande parte do pensamento consciente de um filósofo é secretamente guiado por seus instintos.
d) Freud, a consciência moral é senhora dos desejos inconscientes, causadores da neurose em indivíduos imorais.

38. Ao longo da história, algumas das teses políticas de Aristóteles mereceram críticas de outros autores. Entre essas teses, pode-se citar a concepção do Estado justo como uma comunidade una e indivisa; a finalidade do Estado como sendo o bem comum; e a necessidade de os governantes serem virtuosos por serem exemplo para os governados, que os imitam.
Sobre os autores que criticaram Aristóteles, pode-se afirmar que, de acordo com:
a) Maquiavel, o príncipe deve parecer ter as virtudes éticas, sendo necessário em algumas circunstâncias agir contrariamente a elas.
b) Hobbes, o Estado faz o contrato social surgir naturalmente da convergência dos cidadãos em torno de seu próprio desenvolvimento.
c) Marx, a economia política é o que torna uma comunidade una e indivisa e realiza o bem comum que é o objetivo do Estado.
d) Foucault, a sociedade disciplinar se constitui pelo estabelecimento da soberania, através da delegação de poder pelos indivíduos nas instituições.

39. A tragédia é uma forma de arte abordada por diferentes pensadores, que a consideraram um dos grandes gêneros artísticos.
De acordo com Aristóteles e Nietzsche, respectivamente, a tragédia envolve:
a) a imitação de ações de caráter elevado através das quais o herói é levado a um destino de infortúnio - a articulação entre os impulsos artísticos da figuração plástica e da música.
b) a imitação de ações de caráter elevado que provocam o êxito do herói - a predominância do impulso dionisíaco sobre o apolíneo a ponto de excluí-lo totalmente.
c) a imitação de ações de caráter baixo que provocam o êxito do herói - a predominância do impulso apolíneo sobre as manifestações dionisíacas a ponto de excluí-las totalmente.
d) a imitação de ações de caráter baixo que provocam a decadência do herói - a destruição mútua dos impulsos artísticos da figuração plástica e da música.

40. No "método de analogia lógica", utilizado para determinar e um argumento silogístico é válido ou não, substituem-se algumas palavras por outras, cujo sentido conhecemos, mantendo a forma do argumento. Se, então, depara-se com premissas verdadeiras e conclusão falsa, sabe-se que o argumento é inválido.
A característica do silogismo que torna possível esse método está expressa em:
a) A premissa maior tem extensão lógica maior do que a premissa menor.
b) A validade ou a invalidade de um silogismo é uma questão puramente formal.
c) A validade ou a invalidade de um silogismo depende de seu conteúdo específico.
d) A conclusão tem extensão lógica menor do que as premissas

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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Não se refuta estudo com opinião - Filosofia em Tempos de Pandemia

D
Durante esse período de isolamento social, precisamos compreender a importância dos estudos científicos para  enfrentamento desse coronavírus/Covid19 que assola nossa sociedade, por isso compartilhamos aqui a reflexiva contribuição do nosso estudante egresso Nicolas Gustavo - formado no Curso Técnico de Mecânica.  


Em tempos de pandemia, manter-se informados acerca das principais noticiais do Brasil e do mundo é imprescindível, a fim de contribuir para um melhor direcionamento de nossos atos cotidianos e de preservação de nossa saúde.
Entretanto, apesar da seriedade e relevância do tema, aproveitam-se muitos para a disseminação de notícias falsas, as quais se contrapõe aos fatos cientificamente comprovados e verificados. A divulgação de Fake News e a aceitação acrítica destas, portanto, distanciam a efetiva prevenção da comunidade social frente às ações do SARS-CoV-2 (vírus causador do COVID-19).

Por isso, segue abaixo portais de divulgação científica para consulta, tanto sobre Corona Vírus, quanto sobre demais temáticas:
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) - https://bvsalud.org/
Descritores em Ciências da Saúde – https://decs.bvs.br
Plataforma SciELO - http://www.scielo.br/
Repositório Institucionais de Universidades (por exemplo, USP, UNICAMP, UFRN, UFC, entre outras).

Vale, por fim, apontar que as universidades públicas brasileiras são, historicamente, nossos principais tecnopolos e centros de produção científica. Logo, defender o conhecimento científico se trata também em defender políticas de fortalecimento das Universidades Públicas de Qualidade. Pensemos para que venhamos sempre lembrar: Não se refuta estudo com opinião. 

#filosofiaemtemposdepandemia  #estamosjuntosadistancia


Desafio do Dia

Um filosofo/tema, uma linguagem/área e a escolha de uma ação/realidade. 
                           
 Filósofo do dia 


Pitágoras de Samos - Filosofia pré-Socrática - Tema: a importância da racionalidade cientifico/matemática.

Em tempos de pandemia, percebemos a importância do desenvolvimento tecnológico e das pesquisas cientificas. Os estudos matemáticos, físicos, químicos e das mais diversas áreas precisam ser valorizados e as ciências humanas podem contribuir com essa valorização.   




           Linguagem do dia 

Em tempos de isolamento social, alguns podem optar pode se dedicarem a conhecer novos temas e autores, por isso, nossa dica de hoje é dedique-se a Pintura. vamos conhecer as obras que valorizam o uso do grafite como meio de criação. O artista Jean-Michel Basquiat é reconhecido pela promoção da arte de rua como meio democrático sócio-cultural. Por isso,  a dica de hoje é conhecer online as obras desse artista contemporâneo. 


Realidade /Propostas de Ação 

Costuma-se conhecer o dia 01 de Abril como sendo o dia da mentira. Nesse dia, dado a quantidade de informações nitidamente falsas divulgadas como celebração, alguns possuem o hábito que deveria se estender a todos os dias de pesquisar a fonte das informações antes de divulga-las. Hoje convidamos nossos estudantes a conhecer o projeto Infodemia realizado no IFRN- Campus Macau e pesquisar sobre esse conceito, divulgando críticas ao inapropriado uso de falacias e disseminando estudos de lógica e silogismo. A segunda opção é a uma pesquisa sobre a importância das ciências em tempo de pandemia afinal precisamos conhecer, promover e divulgar ações sobre o fazer cientifico, a ciência histórica, concepções epistemológicas sobre a validade das ciências e seu método.  🥰

 #filosofiaemtemposdepandemia              #estamosjuntosadistancia



Saiba mais: Projeto de pesquisa: "Letramento informacional, COVID-19 e infodemia". O projeto, coordenado pela professora Alana Driziê, tem como um dos objetivos apresentar estratégias para evitar a desinformação acerca da temática. IFRN/Campus Macau


terça-feira, 31 de março de 2020



Nesse dia 31 de Março de 2020, precisamos lembrar para que não se repita, por isso compartilhamos aqui a reflexiva elaboração do nosso estudante egresso Nicolas Gustavo - formado no Curso Técnico em Mecânica. 

Na madrugada de 31 de março para 1° de abril de 1964, a democracia brasileira, a institucionalidade constitucional e a legitimidade do governo de João Goulart sofreram as últimas consequências de um golpe de Estado por ação civil-militar, as quais encaminhariam o Brasil para 21 anos de Ditadura. 

Relembrar a data como processo histórico não integra (ou pelo menos não deveria integrar) um ritual de exaltação do referido ato, mas, antes de tudo, convida-nos a refletir sobre as memórias e as continuidades das práticas do Regime Civil-Militar, mesmo posterior à abertura. Vale, portanto, lembrar que, em oposição àquilo que parte da produção historiográfica sobre a transição apregoou (defendendo que o único caminho pós regime autoritário, seria a consolidação democrática), há possibilidades de governos com diferentes abordagens da qualidade da democracia e com uma pluralidade nos mecanismos institucionais, mesclando autoritarismo e primário da Lei. O Jurista Pedro Serrano, nesse contexto, denuncia a atividade de um Estado de Exceção concomitante ao Estado de Direito no Brasil, já que há diferentes maneiras de tratamento de grupos populacionais, elegendo estes enquanto inimigo da Segurança Nacional, portanto, visto como um não-humano.

Diante disso, pode-se indagar: estaria o autoritarismo ausente de nossas vidas cotidianas? Há manifestações visíveis e constantes do fascismo à brasileira em nossos dias? Pensemos para que venhamos sempre lembrar: Ditadura Nunca Mais. 

#filosofiaemtemposdepandemia #estamosjuntosadistancia

Desafio do dia

Um filosofo/tema, uma linguagem/área e a escolha de uma ação/realidade. 
                             
 Filósofo do dia 



Tales de Mileto - Filosofia pré-Socrática - Tema: a importância da água.

Em tempos de pandemia, percebemos o quanto o acesso a água é um verdadeiro problema para muitas comunidades. É preciso compreender a questão ambiental que envolve a racionalização da água em alguns lugares do país.  Compreender o significado do arché para Tales de Mileto e sua importância pode ajudar nossos estudantes em suas reflexões filosóficas.




           Linguagem do dia 

Em tempos de isolamento social, alguns podem optar pode se dedicarem a conhecer novos temas e autores, por isso, nossa dica de hoje é dedique-se a Literatura. Delicie-se com um prazer de um bom livro e a leitura dos clássicos podem ser  fundamentais para ampliar nossos horizontes. Uma sugestão é conhecer Jane Eyre. Além do livro, existem vídeo e artigos. 



Realidade /Propostas de Ação 

Hoje completa-se 50 Anos do Golpe Militar e precisamos refletir sobre o significado dessa vivência, por isso mais do que apenas dizer Ditadura Nunca Mais, desafia-se a promover uma pesquisa com bases em estudos históricos acerca desse período da história brasileira e sobre a importância dos direitos humanos. Pesquisar sobre os direitos humanos nos leva a pensar sobre nossa relação com o outro - Alteridade e Outridade, por isso nos leva também a pensar sobre nós mesmo. Daí, a segunda possibilidade de ação nesse desafio, o velho e querido "conhece-te a ti mesmo", por isso o cuidado de si foia nossa outra proposta: mostre a diversidade de sua beleza, cuide-se em tempos de pandemia. 🥰

 #filosofiaemtemposdepandemia              #estamosjuntosadistancia

sexta-feira, 27 de março de 2020

Novos Blogs sobre Filosofia Antiga



Que tal acabar com um pouco da saudade conhecendo as novas produções do 1 ano de Mecânica e do 1 ano de Informática que estão em construção? Que tal dar aquela espiadinha? 

Aspásia de Mileto
https://aspasiamileto.blogspot.com/2020/03/aspasia-de-mileto-hetera-aspasio-foi.html

Anaximandro de Mileto
https://anaximandrodemiletoif.blogspot.com

Heráclito de Éfeso
https://heraclitinho.blogspot.com/

 Aristóteles
https://meublogdearistoteles.blogspot.com/?m=1

https://silvaeduardasilva.blogspot.com/2020/03/filosofia.html

 Zenão de Eleia
https://infoleia.blogspot.com/2020/03/b-iografia-zenao-de-eleia-nasceu-na.html

 Demócrito de Abdeba
https://pedroemanoeljales.blogspot.com/2020/03/um-pouco-sobre-democrito-de-abdeba.html

Zenão de Cítio
https://eduardacastroc4.blogspot.com/2020/03/zenao-de-citio-333-a.html?m=1

Pitagóras 
https://pitagorizandoo.blogspot.com/

Aristipo de Cirene 
curiosidadesdefilosofia.blogspot.com/search/label/Aristipo%20de%20Cirene

Protagoras de Abdera

https://hramalho5.wixsite.com/protagorasdeabdera/post/what-we-can-learn-from-plants

Platão
https://platao-vida-e-obra.webnode.com/



Provocações Éticas de Leandro Karnal

Como sabem os estudos de Filosofia, Ciência e Tecnologia desse semestre tem como metodologias de ensino-aprendizagem a metodologia baseada em projetos e a metodologia baseadas em problemas. O Conteúdo Ética e Filosofia das Ciência e sua associação ao Principais Problemas da Civilização Tecnológica ficam evidentes nos tempos de Pandemia. A aparente antítese entre salvar a economia e ouvir as indicações de isolamento social põe em evidência uma série de valores que adotamos em nossa sociedade. A ideia aqui não é resolver esse conflito, mas pô-lo como problema filosófico e ser pesquisado, já que defendemos a pesquisa como principio pedagógico. Vamos ao problema: 
Assista ao vídeo do professor Leandro Karnal associando os Constituintes do Campo Ético de Marilena Chauí,  a bussola e a balança de Maria Lucia Aranha com as seguintes reflexões presentes no Princípio Responsabilidade de Hans Jonas! Depois nos conta ou envia um texto com base nessas reflexões, quem sabe ele não será postado aqui? 







O QUE É CIENTÍFICO?

 RUBEM ALVES

Colega aposentado com todas as credenciais e titulações. Fazia tempo que a gente não se via. Entrou no meu escritório sem bater e sem se anunciar. E nem disse bom-dia. Foi direto ao assunto. "- Rubão, estou escrevendo um livro em que conto o que aprendi através da minha vida. Mas eles dizem que o que escrevo não serve. Não é científico. Rubão: o que é científico?" Havia um ar de indignação e perplexidade na sua pergunta. Uma sabedoria de vida tinha de ser calada: não era científica. As inquisições de hoje, não é mais a igreja que faz.
Não sou filósofo. Eles sabem disso e nem me convidam para seus simpósios eruditos. Se me convidassem eu não iria. Faltam-me as características essenciais. Nietzsche, bufão, fazendo caçoada, cita Stendhal sobre as características do filósofo: " Para se ser um bom filósofo é preciso ser seco, claro e sem ilusões. Um banqueiro que fez fortuna tem parte do caráter necessário para se fazer descobertas em filosofia, isto é, para ver com clareza dentro daquilo que é."
Não sou filósofo porque não penso a partir de conceitos. Penso a partir de imagens. Meu pensamento se nutre do sensual. Preciso ver. Imagens são brinquedos dos sentidos. Com imagens eu construo estórias. E foi assim que, no preciso momento em que meu colega formulou sua pergunta perplexa, chamadas por aquela pergunta augusta, apareceram na minha cabeça imagens que me contaram uma estória:

"Era uma vez uma aldeia às margens de um rio, rio imenso cujo lado de lá não se via, as águas passavam sem parar, ora mansas, ora furiosas, rio que fascinava e dava medo, muitos haviam morrido em suas águas misteriosas, e por medo e fascínio os aldeões haviam construído altares às suas margens, neles o fogo estava sempre aceso, e ao redor deles se ouviam as canções e os poemas que artistas haviam composto sob o encantamento do rio sem fim.
O rio era morada de muitos seres misteriosos. Alguns repentinamente saltavam de suas águas, para logo depois mergulhar e desaparecer. Outros, deles só se viam os dorsos que se mostravam na superfície das águas. E havia as sombras que podiam ser vistas deslizando das profundezas, sem nunca subir à superfície. Contava-se, nas conversas à roda do fogo, que havia monstros, dragões, sereias, e iaras naquelas águas, sendo que alguns suspeitavam mesmo que o rio fosse morada de deuses. E todos se perguntavam sobre os outros seres, nunca vistos, de número indefinido, de formas impensadas, de movimentos desconhecidos, que morariam nas profundezas escuras do rio.
Mas tudo eram suposições. Os moradores da aldeiam viam de longe e suspeitavam - mas nunca haviam conseguido capturar uma única criatura das que habitavam o rio: todas as suas magias, encantações, filosofias e religiões haviam sido inúteis: haviam produzido muitos livros mas não haviam conseguido capturar nenhuma das criaturas do rio.
Assim foi por gerações sem conta. Até que um dos aldeões pensou um objeto jamais pensado. (O pensamento é uma coisa existindo na imaginação antes dela se tornar real. A mente é útero. A imaginação a fecunda. Forma-se um feto: pensamento. Aí ele nasce...). Ele imaginou um objeto para pegar as criaturas do rio. Pensou e fez. Objeto estranho: uma porção de buracos amarrados por barbantes. Os buracos eram para deixar passar o que não se desejava pegar: a água. Os barbantes eram necessários para se pegar o que se deseja pegar: os peixes. Ele teceu uma rede.
Todos se riram dele quando ele caminhou na direção do rio com a rede que tecera. Riram-se dos buracos dela. Ele nem ligou. Armou a rede como pode e foi dormir. No dia seguinte, ao puxar a rede, viu que nela se encontrava, presa, enroscada, uma criatura do rio: um peixe dourado.
Foi aquele alvoroço. Uns ficaram com raiva. Tinham estado tentando pegar as criaturas do rio com fórmulas sagradas, sem sucesso. Disseram que a rede era objeto de feitiçaria. Quando o homem lhes mostrou o peixe dourado que sua rede apanhara eles fecharam os olhos e o ameaçaram com a fogueira. Outros ficaram alegres e trataram de aprender a arte de fazer redes. Os tipos mais variados de redes foram inventados. Redondas, compridas, de malhas grandes, de malhas pequenas, umas para serem lançadas, outras para ficarem à espera, outras para serem arrastadas. Cada rede pegava um tipo diferente de peixe.
Os pescadores-fabricantes de redes ficaram muito importantes. Porque os peixes que eles pescavam tinham poderes maravilhosos para diminuir o sofrimento e aumentar o prazer. Havia peixes que se prestavam para ser comidos, para curar doenças, para tirar a dor, para fazer voar, para fertilizar os campos e até mesmo para matar. Sua arte de pescar lhes deu grande poder e prestígio e eles passaram a ser muito respeitados e invejados.
Os pescadores-fabricantes de redes se organizaram numa confraria. Para se pertencer à confraria era necessário que o postulante soubesse tecer redes e que apresentasse, como prova de sua competência, um peixe pescado com as redes que ele mesmo tecera.
Mas uma coisa estranha aconteceu. De tanto tecer redes, pescar peixes e falar sobre redes e peixes, os membros da confraria acabaram por esquecer a linguagem que os habitantes da aldeia haviam falado sempre e ainda falavam. Puseram, no seu lugar, uma linguagem apropriada às suas redes e os seus peixes, e que tinha de ser falada por todos os seus membros, sob pena de expulsão.
A nova linguagem recebeu o nome de ictiolalês ( do grego "ichthys" = peixe + "lalia"= fala ). Mas, como bem disse Wittgenstein, alguns séculos depois "os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo". O meu mundo é aquilo sobre o que posso falar. A linguagem estabelece uma ontologia. Os membros da confraria, por força dos seus hábitos de linguagem, passaram a pensar que somente era real aquilo sobre que eles sabiam falar, isto é, aquilo que era pescado com redes e falado em ictiolalês. Qualquer coisa que não fosse peixe, que não fosse apanhado com suas redes, que não pudesse ser falado em ictiolalês, eles recusavam e diziam: "Não é real".
Quando as pessoas lhes falavam de nuvens eles diziam: " Com que rede esse peixe foi pescado?" A pessoa respondia: "Não foi pescado, não é peixe." Eles punham logo fim à conversa: "Não é real". O mesmo acontecia se as pessoas lhes falavam de cores, cheiros, sentimentos, música, poesia, amor, felicidade. Essas coisas, não há redes de barbante que as peguem. A fala era rejeitada com o julgamento final: "Se não foi pescado no rio com rede aprovada não é real".
As redes usadas pelos membros da confraria eram boas? Muito boas.
Os peixes pescados pelos membros da confraria eram bons? Muito bons.
As redes usadas pelos membros da confraria se prestavam para pescar tudo o que existia no mundo? Não. Há muita coisa no mundo, muita coisa mesmo, que as redes dos membros da confraria não conseguem pegar. São criaturas mais leves, que exigem redes de outro tipo, mais sutis, mais delicadas. E, no entanto, são absolutamente reais. Só que não nadam no rio.
Meu colega aposentado com todas as credenciais e titulações: mostrou para os colegas um sabiá que ele mesmo criara. Fez o sabiá cantar para eles e eles disseram: "Não foi pego com as redes regulamentares; não é real; não sabemos o que é um sabiá; não sabemos o que é o canto de um sabiá..."
Sua pergunta está respondida, meu amigo: o que é científico?
Resposta: é aquilo que caiu nas redes reconhecidas pela confraria dos cientistas.

Cientistas são aqueles que pescam no grande rio... Mas há também os céus e as matas que se enchem de cantos de sabiás... Lá as redes dos cientistas ficam sempre vazias.

FONTES:

ALVES, Rubem. Entre a Ciência e Sapiência.                          

quinta-feira, 26 de março de 2020

Filosofia e Filmes

Olá, Você já conhece o Cinephylos? O Cicuta - Clube de Filosofia tem o espaço dedicado a quem ama filmes, literatura, história e filosofia. Uma versão diferenciada do Projeto Cinedebate voltada apenas para um seleto grupo que ama e quer discutir esporadicamente sobre a sétima arte. Em tempos de Pandemia, nós do Cinephylos divulgamos aqui uma pequena lista para você assistir nessa quarentena. 

Introdução à História da Filosofia em Filmes 


Guerra de Troia - 1961

Troia

 Helena de Troia

Helena de Troia II

Medea (Pasolini)

Odisseia

As Bacantes

Édipo Rei ( de Bini)

Antigona

 Medea - Lars Von Trier

Sócrates (Rosselini)

 Alexandre - O grande

Alexandre - O Grande - 1956 

Paulo de Tarso

 Gladiador

Nero

Santo Agostinho

Santo Agostinho II

Heloísa e Abelardo

Pompeia

Francisco de Assis

 Duns Scotto

O Nome da Rosa

O Poço e o Pêndulo

São João da Cruz

Santo Tómas

Santo Tómas - Beckt

Decameron - Pasolini

Lutero

Lutero II

Lutero - 1953

Caça de Bruxas

O Grande Inquisidor - Dostoievski

 Os Borgias

A conquista do Paraíso

Aguirre

Galileu

As aventuras do Barão de Muschhausen

Descartes

As aventuras de Móliere

O absolutismo

Espinosa

Pascal

Os contos proibidos do Marques de Sade

 Justine e Juliette - Sade

Marques de Sade

Maria Antonieta

 Fausto

Nietazshe - Para Além do Bem e do Mal

Dias de Nietzsche em Turim

Heidegger

Rosa Luxemburgo

1984

O Ovo da Serpente

Arquitetura da Destruição 

Sartre e Beauvoir

Foucalt

Foucalt II

Foucalt e Chomsky

 Derrida

Derrida II

Deleuze

Deleuze II

Guattari

Hilary Putnam

Daniel Dennett

John Searle
 Ernesto Laclau I
Ernesto Laclau

Ranciere

Importante: a presente não foi elaborada por nós, mas está disponível em http://daniel-omar-perez.blogspot.com.br/2017/01/introducao-historia-da-filosofia-em.html?spref=fb

sexta-feira, 20 de março de 2020

Filosofia em Tempos de Pandemia


Pensando novas tendencias filosófico-pedagógicas para o ensino de filosofia nas modalidades do Ensino básico técnico tecnológico  EBTT de Filosofia alicerçados no Projeto Político Pedagógico do IFRN, o projeto a ser desenvolvido durante o combate a pandemia gerada pelo Covid-19 tem como pressuposto atuar por meio de trabalho remoto a partir da compreensões da Pesquisa como principio pedagógico e do Trabalho como principio educativo por meio da articulação entre trabalho, ciência, cultura e tecnologia.

O projeto é organizado por professores de filosofia do IFRN e estudantes egressos do cursos técnicos integrado do IFRN-Campus Mossoró e tem como publico alvo a comunidade acadêmica do IFRN e demais interessado pelo processo de ensino-aprendizagem em Filosofia. 

A partir do referencial teórico presente nos projetos de pesquisa sobre gameficação,ludicidade e metodologias ativo-reflexivas no ensino de filosofia desenvolvidos nos últimos anos no Campus Mossoró, em especial, os estudos de Antônio Joaquim Severino sobre a importância da pesquisa no ensino de filosofia e de Saviani sobre o trabalho como principio educativo foram pensados estruturas epistêmico-filosóficas que pudessem ajudar nossa comunidade acadêmica a vivenciar esses momentos de isolamento social durante o combate ao COVID-19. As reflexões de Judith Butler, Achile Mbembe, Byung-Chu Han, Noam Chomsky, David Harvey, Zizek e outros pensadores contemporâneos serviram de horizonte teórico para compreender filosoficamente esse tempo de pandemia enquanto autores como Adriana Mattar Maamari (Novas tendencias para o Ensino de Filosofia), Roberto Bolzani Filho e Maria Lucia Aranha fundamentaram as propostas envolvendo as praticas de ensino voltadas para pesquisa e disseminação de ideias filosóficas. 

O projeto se desenvolverá por meio da articulações envolvendo disseminar em coletar e divulgar textos filosóficos e pensadores que reflitam sobre o mundo durante a pandemia do coronavírus-covid-19, por meio das redes sociais e demais mecanismo de interação social remota, bem como estimular os estudantes a pesquisarem sobre tais reflexões a partir de:  trechos/textos filosóficos, referências filosóficas em fontes não filosóficas e a reflexão filosófica explorando situações vivenciais concretas. 

#filosofiametemposdepandemia #estamosjuntosadistancia